Relatório de Experimento da Catapulta
Estatística e Probabilidade
Prof. Ben Dêivide (DEFIM/CAP/UFSJ)
1 Relatório de Experimento: Estatística e Probabilidade com Catapulta
2 Introdução
Este relatório detalha um experimento prático realizado no âmbito da disciplina de Estatística e Probabilidade da UFSJ, com foco na análise de dados coletados a partir de lançamentos de uma catapulta. O objetivo principal foi investigar a variabilidade dos resultados de lançamento sob configurações fixas e aplicar técnicas de análise estatística para interpretar os dados obtidos.
3 Metodologia e Prática Experimental
O experimento da catapulta serve como uma base prática para a coleta de dados reais e a aplicação de técnicas de análise estatística. A catapulta utilizada no experimento permite o controle de diversos fatores que influenciam o lançamento, como a tensão do elástico, o ângulo de disparo e o apoio estrutural.
3.1 Fatores Controlados
Durante o experimento, os seguintes fatores foram controlados para garantir a consistência e permitir a análise da variabilidade:
- Tensão do Elástico (Posição A): Controla a força e a velocidade inicial do projétil.
- Ângulo de Disparo (Posição B): Define o tempo de voo e o alcance horizontal do projétil.
- Apoio Estrutural (Posição O): Garante a estabilidade e a geometria do movimento da catapulta.
4 Configuração Utilizada

Para a realização dos lançamentos, uma configuração específica foi mantida constante na catapulta:
- Posição O-: Nível 2
- Posição A+: Nível 3
- Posição B+: 90°
- Posição A-: Nível 4
5 Coleta de Dados
Foram realizados 22 lançamentos sob as configurações fixas mencionadas. Apesar da manutenção das mesmas configurações, foram obtidas diferentes distâncias de lançamento. Esta variabilidade observada é um ponto central para a análise estatística, pois permite identificar e discutir os fatores que contribuem para a dispersão dos resultados.
5.1 Ordenação de Dados (Rol)
Para facilitar a análise estatística, os dados brutos coletados foram organizados em um rol, que é a disposição dos valores em ordem crescente. Essa organização inicial é crucial para a visualização da distribuição dos dados e para o cálculo de medidas de posição como a mediana e os quartis.
Dados Brutos (Alcance em cm): 326.0, 294.8, 296.8, 294.0, 295.8, 298.5, 300.6, 285.1, 287.1, 292.3, 290.8, 287.9, 282.9, 285.3, 281.5, 278.4, 276.4, 281.7, 277.1, 285.3, 277.1, 281.8
Rol (Alcance em cm): 276.4, 277.1, 277.1, 278.4, 281.5, 281.7, 281.8, 282.9, 285.1, 285.3, 285.3, 287.1, 287.9, 290.8, 292.3, 294.0, 294.8, 295.8, 296.8, 298.5, 300.6, 326.0
6 Análise da Variabilidade e Aprendizado
A observação de resultados não idênticos, mesmo com configurações fixas, ressalta a importância da estatística na compreensão de fenômenos com variabilidade inerente. Os principais fatores que podem ter contribuído para essa variabilidade incluem:
- Pequenas modificações na execução de cada lançamento.
- Influência de fatores ambientais não controláveis, como correntes de ar.
- Limitações e variações nos instrumentos utilizados, como a elasticidade do elástico ao longo do tempo.
7 Medidas Estatísticas
Para a análise dos dados coletados, as seguintes medidas estatísticas foram calculadas:
- Média: 288.96 cm. Representa o ponto central em torno do qual os dados se concentram.
- Mediana: 286.20 cm. Indica o valor central dos dados, sendo menos sensível a valores extremos.
- Desvio Padrão: 11.07 cm. Mede a dispersão ou variação dos dados em relação à média.
- Mínimo: 276.40 cm.
- Máximo: 326.00 cm.
- Amplitude: 49.60 cm.
Essas medidas são cruciais para compreender a distribuição dos lançamentos e facilitar as análises estatísticas subsequentes.
8 Identificação de Valores Atípicos
Durante o experimento, a ocorrência de alguns valores de lançamento significativamente maiores ou menores que os demais foi observada. Através da análise de quartis e do Intervalo Interquartil (IQR), foi identificado um valor atípico: 326.0 cm. Este valor excede o limite superior calculado (Q3 + 1.5 * IQR).
Esse valor atípico pode ter ocorrido por:
- Erros na execução do lançamento da catapulta.
- Variações na deformação do elástico, resultando em maior ou menor força aplicada.
- Variações ambientais pontuais que afetaram um lançamento específico.
A identificação e análise desses valores atípicos são importantes para entender a robustez do experimento e a influência de fatores não previstos.
9 Conclusões Estatísticas
Com base nos dados coletados e nas análises estatísticas, diversas conclusões podem ser inferidas sobre o experimento da catapulta:
- Variabilidade Inerente: Mesmo sob condições controladas, a variabilidade nos resultados de lançamento é uma característica intrínseca do experimento, reforçando a necessidade de métodos estatísticos para sua compreensão.
- Distribuição dos Dados: A análise da distribuição dos alcances (por exemplo, através de histogramas e boxplots) pode revelar se os dados seguem uma distribuição normal ou outra forma, o que é crucial para a escolha de testes estatísticos apropriados.
- Impacto dos Fatores Controlados: Através de análises de variância (ANOVA) ou testes t, é possível determinar se as diferentes configurações dos fatores controlados (tensão, ângulo, apoio) têm um impacto estatisticamente significativo no alcance médio dos lançamentos.
- Correlação e Regressão: Se variáveis adicionais forem coletadas, análises de correlação e regressão podem identificar relações entre essas variáveis e o alcance, permitindo a construção de modelos preditivos para o desempenho da catapulta.
- Controle de Qualidade: O experimento serve como um excelente exemplo para ilustrar conceitos de controle estatístico de processo (CEP), onde gráficos de controle podem ser utilizados para monitorar a estabilidade do processo de lançamento ao longo do tempo.
- Robustez do Experimento: A presença de valores atípicos, embora desafiadora, oferece uma oportunidade para discutir a robustez das medidas estatísticas e a importância da identificação e tratamento de outliers.
Em suma, o experimento da catapulta não apenas demonstra os princípios fundamentais da estatística descritiva e inferencial, mas também serve como uma plataforma prática para explorar a complexidade da variabilidade em sistemas reais e a aplicação de ferramentas estatísticas para extrair conhecimento significativo dos dados.
10 Aplicação do Pacote leem (R) na Análise de Dados
Para a análise estatística dos dados coletados no experimento da catapulta, o pacote leem (Laboratório de Ensino de Estatística e Matemática), desenvolvido pelo Prof. Ben Dêivide da UFSJ, oferece um conjunto de ferramentas didáticas e funcionais em linguagem R. Este pacote é particularmente útil para o ensino e a prática de estatística, permitindo a exploração de conceitos de forma interativa e visual.
10.1 Exemplos de Aplicação do leem
Com os dados brutos do experimento agora disponíveis, a aplicação do leem pode seguir os seguintes passos gerais:
- Importação e Organização dos Dados: Os dados de alcance dos lançamentos seriam importados para o ambiente R. O
leempode auxiliar na criação de objetos de dados estruturados para facilitar a análise. - Cálculo de Medidas Descritivas: Utilizar funções do
leempara calcular rapidamente a média, mediana, desvio padrão, variância, quartis e outras medidas descritivas dos alcances. Isso forneceria um resumo quantitativo da performance da catapulta. - Visualização de Dados: O pacote
leempermite a criação de gráficos estatísticos essenciais, como histogramas, boxplots e gráficos de dispersão. Essas visualizações são cruciais para entender a distribuição dos dados, identificar valores atípicos e observar padrões.- Histograma: Para visualizar a frequência dos diferentes alcances e a forma da distribuição.
- Boxplot: Para identificar a mediana, quartis e a presença de outliers de forma clara.
- Análise de Variabilidade: Explorar a variabilidade dos lançamentos, possivelmente comparando diferentes configurações (se houvesse mais de uma) ou analisando a consistência ao longo do tempo. O
leempode oferecer funções para testes de hipóteses simples ou análises de variância, se aplicável. - Simulações e Modelagem: Para um estudo mais avançado, o
leempode ser empregado em simulações para entender o comportamento probabilístico dos lançamentos ou para construir modelos simples que relacionem os fatores controlados com o alcance.
O uso do leem no contexto deste experimento reforça a importância da computação estatística como uma ferramenta poderosa para a análise de dados reais, permitindo que os estudantes apliquem conceitos teóricos em um cenário prático e obtenham insights significativos sobre a variabilidade e o desempenho da catapulta.
10.2 Principais Resultados Numéricos
A tabela a seguir resume as principais medidas estatísticas calculadas para os alcances dos lançamentos:
| Medida Estatística | Valor (cm) |
|---|---|
| Média | 288.96 |
| Mediana | 286.20 |
| Desvio Padrão | 11.07 |
| Variância | 122.57 |
| Mínimo | 276.40 |
| Máximo | 326.00 |
| Amplitude | 49.60 |
| Primeiro Quartil (Q1) | 281.73 |
| Terceiro Quartil (Q3) | 294.60 |
| Intervalo Interquartil (IQR) | 12.88 |
| Limite Superior para Outliers | 313.91 |
| Coeficiente de Variação (CV) | 3.83% |
A média de 288.96 cm indica o valor central dos alcances, enquanto a mediana de 286.20 cm, ligeiramente menor, sugere uma possível assimetria à direita na distribuição dos dados, influenciada por valores mais altos. O desvio padrão de 11.07 cm e o coeficiente de variação de 3.83% indicam uma variabilidade relativamente baixa, mas presente, nos lançamentos, o que é esperado em experimentos físicos mesmo sob condições controladas.
10.3 Discussão dos Resultados
Os resultados obtidos estão em grande parte de acordo com o esperado para um experimento físico controlado, mas sujeito a variabilidades inerentes. A presença de uma grande variabilidade, evidenciada pelo desvio padrão e pela amplitude, significa que, mesmo com a configuração fixa da catapulta, os lançamentos não são perfeitamente replicáveis. Isso é um conceito fundamental em estatística: a variabilidade é uma característica intrínseca de qualquer processo real [1].
Os fatores que podem ter influenciado esses resultados e as possíveis fontes de erro experimental incluem:
- Variações na Execução: Pequenas diferenças na forma como o operador armava ou liberava a catapulta em cada lançamento podem introduzir variabilidade. A precisão humana é limitada e pode levar a pequenas inconsistências [4].
- Fatores Ambientais: Correntes de ar, mesmo que sutis, podem afetar a trajetória do projétil. Embora o experimento tenha sido realizado em sala, microclimas ou movimentos de ar podem ter tido impacto [5].
- Limitações dos Instrumentos: A elasticidade do elástico pode ter variado ligeiramente ao longo dos 22 lançamentos devido à fadiga do material. Além disso, a precisão da medição do alcance pode ter pequenas margens de erro [7].
- Outlier: O valor de 326.0 cm é um outlier significativo. Sua ocorrência pode ser atribuída a um erro de medição, uma anomalia na liberação da catapulta, ou uma interação inesperada com o ambiente. A decisão de incluir ou excluir outliers da análise depende do contexto e do impacto que eles têm nas conclusões. Neste caso, ele destaca a imprevisibilidade pontual do sistema.
A distribuição dos dados, embora com uma leve assimetria, não apresenta uma tendência clara de desvio para um lado específico, exceto pelo outlier. A interpretação desses dados reforça a necessidade de múltiplas repetições em experimentos para obter uma estimativa robusta da média e da variabilidade, e para identificar a presença de eventos incomuns.
10.4 Análise de Dados
distancia <- c(326.0, 294.8, 296.8, 294.0, 295.8, 298.5, 300.6, 285.1, 287.1, 292.3, 290.8, 287.9, 282.9, 285.3, 281.5, 278.4, 276.4, 281.7, 277.1, 285.3, 277.1, 281.8)
# Para o relatório, podemos usar funções básicas do R para replicar as medidas
# descritivas e garantir a reprodutibilidade da análise.
# Média
media_r <- mean(distancia)
# Mediana
mediana_r <- median(distancia)
# Desvio Padrão (amostral)
desvio_padrao_r <- sd(distancia)
# Mínimo e Máximo
minimo_r <- min(distancia)
maximo_r <- max(distancia)
# Quartis
quartis_r <- quantile(distancia, probs = c(0.25, 0.75))
q1_r <- quartis_r[1]
q3_r <- quartis_r[2]
# Imprimir os resultados (opcional, para verificação)
cat("\n--- Estatística Descritiva (R) ---\n")
cat(sprintf("Média: %.2f\n", media_r))
cat(sprintf("Mediana: %.2f\n", mediana_r))
cat(sprintf("Desvio Padrão: %.2f\n", desvio_padrao_r))
cat(sprintf("Mínimo: %.2f\n", minimo_r))
cat(sprintf("Máximo: %.2f\n", maximo_r))
cat(sprintf("Q1: %.2f\n", q1_r))
cat(sprintf("Q3: %.2f\n", q3_r))
# Geração de gráficos em R (exemplo para Quarto)
# Histograma
hist(distancia, main = "Distribuição dos Alcances da Catapulta",
xlab = "Alcance (cm)", ylab = "Frequência", col = "skyblue", border = "white")
# Boxplot
boxplot(distancia, main = "Boxplot dos Alcances",
ylab = "Alcance (cm)", col = "lightgreen")11 🧠 Considerações finais
O experimento da catapulta, embora simples em sua concepção, revelou-se uma ferramenta didática poderosa para a compreensão de conceitos fundamentais em Estatística e Probabilidade. O objetivo de analisar a variabilidade dos lançamentos sob uma configuração fixa foi plenamente alcançado. Através da coleta de 22 dados e da subsequente análise estatística, foi possível quantificar a dispersão dos resultados e identificar fatores que contribuem para essa variabilidade.
Os principais aprendizados incluem a constatação de que, mesmo em condições aparentemente controladas, a variabilidade é uma característica intrínseca de processos físicos. A análise de medidas descritivas como média, mediana e desvio padrão, juntamente com a visualização gráfica por meio de histogramas e boxplots, permitiu uma interpretação aprofundada do comportamento dos dados. A identificação de um valor atípico ressaltou a importância de investigar eventos incomuns e suas possíveis causas, como erros de execução ou influências ambientais pontuais.
A qualidade dos dados coletados foi satisfatória para os propósitos da análise, embora a presença do outlier indique a necessidade de rigor ainda maior na execução ou na padronização do equipamento. Para futuras melhorias no procedimento experimental, sugere-se a utilização de um mecanismo de lançamento mais automatizado para reduzir a variabilidade humana, a implementação de sensores mais precisos para medição do alcance e a realização do experimento em um ambiente mais controlado para minimizar a influência de fatores externos como o vento. Além disso, a coleta de um número maior de lançamentos poderia proporcionar uma base de dados mais robusta para análises mais avançadas, como testes de hipóteses sobre a normalidade da distribuição ou a comparação entre diferentes configurações da catapulta.
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13 📖 Referências
- [1] Bendeivide. Estatística e Probabilidade (UFSJ). Disponível em: http://bendeivide.github.io/courses/epaec/.
- [2] Bendeivide. Modelo de Relatório. Disponível em: http://bendeivide.github.io/courses/epaec/modrel/.
- [3] Bendeivide. Relatórios da Disciplina Estatística Experimental (UFSJ). Disponível em: https://bendeivide.github.io/relatorio-estprob/relatorio/index.html#vis%C3%A3o-geral-sobre-os-relat%C3%B3rios.
- [4] Bendeivide. Pacote
leem(Laboratório de Ensino de Estatística e Matemática). Disponível em: https://bendeivide.github.io/leem/. - [5] Bendeivide. Experimentos para as aulas práticas. Dísponivel em: https://bendeivide.github.io/courses/epaec/normal2026.1/#experimentos.